Jardim Waldorf em Casa

Quais seriam os elementos essenciais para fazer um “Jardim Waldorf” em casa? Existem atividades específicas obrigatórias, como a pintura com aquarela ou histórias com bonecos, por exemplo? Existem materiais específicos ou mesmo uma decoração característica necessária – como giz de cera de abelha, paredes pintadas em tons suaves, brinquedos feitos à mão e de materiais naturais –  para um criar um “ambiente Waldorf” autêntico?

Estas dúvidas pairam nas nossas cabeças quando optamos por oferecer aos nossos pequeninos do primeiro setênio uma educação baseada na Pedagogia Waldorf. Às vezes, parece que nós mesmos destoamos destas qualidades tão marcantes que caracterizam os Jardins Waldorf e ficamos inseguros sobre como de fato colocar esta proposta em prática.

Antes de mais nada, vamos observar uma manhã típica em um Jardim Waldorf: as crianças estão confortáveis em suas pantufas e cheias de energia para brincam no quintal. Enquanto elas brincam livremente, os adultos (professores) estão atentos mas também trabalhando, arrumando um canteiro, consertando um brinquedo. Os adultos começam a preparar um lanche, as crianças vêm ajudar a cortar frutas, arrumar a mesa, amassar o pão. Todos sentam-se para comer juntos, agradecem à Natureza pelo alimento e por quem os preparou, é um momento de confraternização. As crianças brincam dentro da sala com os brinquedos, os adultos organizam a cozinha, reparam tecidos rasgados e ajudam os pequenos a resolver seus possíveis impasses. Todos se ajudam na hora de arrumar os brinquedos e os adultos direcionam as crianças para uma história.

Esta é a cena clássica que nos vem à mente quando imaginamos um dia típico num Jardim Waldorf mas, além disso, será que não parece também como um dia típico em uma… casa?!

Quando escolhemos ter nossos pequeninos do primeiro setênio conosco em casa, antes de pensar e como reproduzir o ritmo e o ambiente da escola, temos que ter em mente que, para receber estes pequeninos, a escola sim é que busca recriar um ambiente de lar!

Essencialmente, o que os Jardins Waldorf procuram promover para as crianças é um ambiente amoroso e acolhedor. Um lugar permeado por um ritmo fluído, em que reina o equilíbrio entre o brincar livre e a atenção, entre o trabalho e o descanso, entre os momentos de movimento e os de quietude. Acima de tudo, estes lugares precisam ser ambientes onde as crianças encontrem bons modelos de imitação, onde possam observar com todos os seus sentidos as ações, atitudes e posturas dos adultos para, assim poder aprender com seu exemplo.

Observe que não estamos falando de materiais ou decoração específicos. Estamos falando de ritmo e atitude. E, isto, como pais, é o que devemos desenvolver para lidar com a educação dos nossos pequeninos, quer eles frequentem ou não uma escola. Este tempo com as crianças pequenas são preciosos para nos aprimorarmos como pais.

Desenvolver habilidades manuais, estudar a fundo sobre o desenvolvimento das crianças, aprender a contar histórias, a cozinhar comidas nutritivas, a respeitar o tempo do brincar livre como algo sagrado, a criar um ritmo fluído e harmônico. Nada de preocupações com conteúdos acadêmicos ou intelectuais. É tempo de conectar-se com a criança com a nossa própria maternidade e paternidade. É tempo de desenvolver qualidades morais dignas de serem imitadas. De meditar ativamente e seguir sua intuição. É tempo de criar o ambiente favorável para que esses pequenos alcancem seu próprio destino.

O “Jardim Waldorf” pode estar dentro de nós mesmos, se nos dispusermos a ser este ambiente e a fazer do nosso próprio lar um lugar bom para estes pequenos seres que nos foram confiados.

Para terminar, deixo as palavras do próprio Rudolf Steiner, repetida em diversas ocasiões, e que podem nos ajudar a elucidar a questão sobre o que é realmente fundamental: “Essencialmente, não há educação além da autoeducação, seja qual for o nível. Isso é reconhecido em toda a sua profundidade na Antroposofia, que tem conhecimento consciente por meio da investigação espiritual de repetidas vidas na Terra. Toda educação é autodidata e, como professores, só podemos proporcionar o ambiente para a autodidatismo das crianças. Devemos oferecer as condições mais favoráveis nas quais, por meio de nosso arbítrio, as crianças possam se educar de acordo com seus próprios destinos. Essa é a atitude que os professores devem ter em relação às crianças, e tal atitude só pode ser desenvolvida por meio de uma consciência cada vez maior desse fato ”. [Rudolf Steiner, The Child’s Changing Consciousness]  

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