Waldorf em casa?

Quando embarcamos em nosso projeto pela educação domiciliar, a opção pela Pedagogia Waldorf não foi uma escolha óbvia nem imediata. Apesar de as nossas filhas maiores terem frequentado a escola Waldorf durante um tempo, estávamos realmente abertos a novos formatos e a conhecer todas as possibilidades que a educação domiciliar podia nos proporcionar. Passamos por um período de desescolarização (falei mais sobre isto aqui), que foi muito importante para (re)descobrirmos em todos nós, adultos e crianças, o amor pelo aprendizado contínuo.

Depois deste tempo, quando surgiu a necessidade de formatar um novo ritmo, fomos naturalmente nos reaproximando da Pedagogia Waldorf. Primeiro, por que é uma filosofia que combina com o nosso estilo de vida. Fatores essenciais na Pedagogia Waldorf como o ritmo, o contato íntimo com a natureza, a busca pela liberdade e por encontrar significado em cada ponto do cotidiano, simplesmente fazem sentido com o que compreendemos por educação.

Segundo porque, ao começar a praticar a Pedagogia Waldorf em casa, pudemos perceber o quanto ela é perfeita para a educação domiciliar. Em casa, podemos realmente olhar cada criança em toda a sua individualidade e compreendê-la como um ser único. Dar a ela o que ela precisa, o que foi uma das principais mensagens que Rudolf Steiner entregou ao grupo de professores que fundou a primeira escola Waldorf, em 1919. A partir do conhecimento sobre o desenvolvimento do ser humano combinado à observação amorosa sobre cada um dos nossos filhos, podemos desenvolver um currículo único e personalizado, atendendo às necessidades específicas.

Na Pedagogia Waldorf, existem diretrizes, não fórmulas! São estes os dois grandes balizadores: o grande legado antropológico deixado por Steiner, que nos ensina o que é inato, inerente ao desenvolvimento de cada ser humano em todos os lugares e em todos os tempos. E a interação com cada criança como o indivíduo que é e que personaliza o ensino, sempre acompanhado pelo olhar atento e amoroso do adulto a atender suas especifidades.

Outro ponto de enlace entre a educação domiciliar e a Pedagogia Waldorf é uma vivência profunda de comunidade. Parece antagônico pois, automaticamente, pensamos na escola como o principal modelo de comunidade envolvendo crianças. No entanto, um ganho maravilhoso inerente à educação em casa é o fortalecimento da família, que é a primeira comunidade que todos conhecemos. É necessário uma coesa rede de colaboração entre todos os membros da família, adultos e crianças, para que todas as tarefas e desafios deste modelo sejam vencidos e, principalmente, bem vividos. Conciliar a preparação e os horários de estudo, com as tarefas da casa, com o trabalho dos pais e as atividades livres das crianças requer uma farta dose de boa comunicação, uma frequente revisão de combinados e um esforço coletivo de união para que tudo funcione bem. Sem contar a convivência intensa que, na maior parte do tempo, gera um clima incrível de cumplicidade entre irmãos, apoio mútuo entre os pais e amor entre toda a família. Uma linda vivência de comunidade para ser ampliada para a vida adulta!

Por fim, sabemos que a Pedagogia Waldorf é a pedagogia do fazer. Em casa, temos a oportunidade diária de exercitar diversos “fazeres” dentro da vida real, e não apenas como aulas. Construir, cozinhar, costurar, consertar, plantar, cuidar, brincar são ações que movimentam o dia a dia da casa, e as crianças estão naturalmente envolvidas neste contexto, participando, criando, aprendendo e contribuindo. É um verdadeiro usar as mãose dar as mãos para que tudo aquilo de mais essencial para a nossa saúde e bem-estar aconteça.

A liberdade, afinal, é o verdadeiro espírito da educação, conforme Rudolf Steiner repetiu constantemente. E o ambiente da casa, a segurança da família e o amor que permeia esse cenário da educação domiciliar, certamente acolhem este espírito de modo que a educação e o ser humano floresçam.

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